12 de nov de 2013

Resumo: 10 HISTÓRIAS INSÓLITAS, de Machado de Assis

RESUMO DOS CONTOS INSÓLITOS:
1- CHINELA TURCA: Em A chinela turca é por intermédio da visão que a “realidade” se confunde com o sonho. As transições são calcadas na visão.

A história se passa na cidade do Rio de Janeiro, no ano de 1850. O bacharel Duarte prepara-se para ir a um baile, onde encontrará uma jovem com quem está a namorar há pouco tempo, quando lhe anunciam a visita do major Lopo Alves, velho amigo da família. Causa-lhe horror a visita àquela hora. O major vem lhe dar a notícia de que acabara de escrever um drama. O bacharel custa a crer que isso realmente estava acontecendo com ele, naquela hora da noite, só pensava em Cecília. Empalideceu quando viu o major abrir o rolo que trazia, seria breve na leitura, afinal não passava o drama de cento e oitenta folhas manuscritas. O major começou a leitura, o bacharel mergulhou o corpo e o desespero numa vasta poltrona de marroquim, resoluto a não dizer palavra para ir mais depressa ao termo.
O drama dividia-se em sete quadros. Os sentimentos do bacharel não faziam crer tamanha ferocidade; mas a leitura de um mau livro é capaz de produzir fenômenos ainda mais espantosos.
Neste momento o escritor está preparando o leitor para viver o imaginário que a partir deste ponto da obra vai ser criado pelo bacharel.
Voava o tempo, e o ouvinte já não sabia a conta dos quadros... De repente, viu Duarte que o major enrolava outra vez o manuscrito, erguia-se, empertigava-se, cravava nele uns olhos odiendos e maus, e saía arrebatadamente do gabinete... autor e drama tinham desaparecido. Por que não fez ele isso há mais tempo?
Mal tem tempo de suspirar com alegria, quando o empregado vem anunciar-lhe outra visita. Era a polícia!
Era acusado de furtar uma chinela turca, preciosa. Duarte suspeitou que o homem fosse doido ou um ladrão. Não teve tempo de examinar a suspeita, viu entrar cinco homens armados, que lhe levaram. Meteram-no à força em um carro e partiram.
No carro, os homens confirmam as suspeitas de Duarte, eles não eram da polícia. Chegaram a uma bela casa. Duarte já achava que a chinela vinha a ser pura metáfora; tratava-se do coração de Cecília, que ele roubara, delito de que o queria punir o já imaginado rival. Na casa um homem misterioso apresenta-lhe uma linda moça, muito parecida com Cecília. O homem diz-lhe que três coisas Duarte vai fazer: casar, escrever o seu testamento; e engolir certa droga do Levante...
Possuía uma pequena fortuna, deixaria tudo para a moça e depois morreria. Não, não se casaria.
Ao ser chamado, entra um padre, que olha para ele de modo esquisito. Num momento de distração, o padre revela-lhe que era tenente do exército e que ele deveria pular a janela e fugir.
Duarte não hesitou, pulou a Deus misericórdia por ali abaixo. Deu com um segurança, fechou os punhos e bateu com eles violentamente nos peitos do homem e deitou a correr. O homem não caiu. Começou então uma carreira vertiginosa.
Cansado, ferido, ofegante, caiu nos degraus de pedra de uma casa. Um homem que ali estava, lendo um número de Jornal do Comércio, pareceu não o ter visto entrar. Duarte fitou os olhos no homem. Era o major Lopo Alves.
O major exclamou repentinamente: Fim do último quadro.
Duarte olhou para ele, esfregou os olhos, respirou à larga. O major pergunta-lhe “Que tal lhe parece?” “Ah! Excelente!” Respondeu o bacharel, levantando-se. “Paixões fortes, não?” Pergunta-lhe o Major. “Fortíssimas”, responde Duarte.
O Major despediu-se, eram duas horas. Duarte respirou fundo, foi até a janela e disse para si mesmo: - “Ninfa, doce amiga, fantasia inquieta e fértil, tu me salvaste de uma ruim peça com um sonho original, substituíste-me o tédio por um pesadelo: foi um bom negócio. Um negócio e uma grave lição: provaste-me que muitas vezes o melhor drama está no espectador e não no palco.”

2- A IGREJA DO DIABO: Certo dia o Diabo teve a grande ideia de fundar uma igreja pois estava cansado de ter tantos súditos e não ter organização, um ritual, enfim estava cansado de não ter regras.O Diabo pensava que ao abrir uma igreja, estaria destruindo de vez todas as outras religiões,enquanto as outras se combatiam e dividiam,a igreja do      Diabo seria única.Decidido isso ele foi aos céus avisar a Deus e desafiá-lo.
Chegando ao infinito azul, o Diabo encontrou Deus e o comunicou sobre a Igreja dizendo que faria todos os humanos negares suas virtudes e desceu a terra para colocar seu plano em prática.
Uma vez na Terra o Diabo não perdeu um minuto, entrou para espalhar uma doutrina nova e extraordinária. Prometeu a seus discípulos e fiéis as delícias da terra, todas as glórias. Confessava que era o Diabo para provar para os seres humanos que ele não era tudo que Deus falava e que também era um pai e podia dar tudo que fosse pedido. A multidão veio mesmo aos seus pés.
Ele clamava que as virtudes aceitas deveriam ser substituídas pelas naturais e legítimas. A soberba, a luxuria, a preguiça foram reabilitadas e assim também a avareza, que declarou não ser mais do que a mãe da economia. A ira e a gula agora eram muito bem vistas.
Quanto a inveja, pregou friamente que era a virtude principal, preciosa, que chegava a suprir todas as outras.
Ele chamava a fraude de braço esquerdo do homem, o direito era a força.
A demonstração mais rigorosa e profunda foi à venalidade, dizia ele que era o exercício de um direito superior a todos os direitos. Se você pode vender a sua casa, o seu boi, porque não pode vender sua opinião? o teu voto, tua fé? Coisas que são mais do que sua, porque são sua própria consciência, isto é, tu mesmo?
E assim o Diabo descia e subia, examinava tudo. Todas as formas de respeito foram condenadas por eles, a única exceção do interesse.
Para arrematar a obra entendeu o Diabo que lhe cumpria cortar por toda a solidariedade humana. Não se devia dar ao próximo nada, a não ser a indiferença e em alguns casos, ódio ou desprezo. A única hipótese que lhe permitia amar ao próximo era quando se tratasse de amar a mulher alheia.
As pessoas foram chegando e a igreja fundara-se, a doutrina propagara-se, não havia ninguém que a não conhecesse, uma língua que não a traduzisse, uma raça que não a amasse.
O Diabo alcançou brados de triunfo.
Muitos anos depois o Diabo notou que muitos dos seus fies, às escondidas praticavam as antigas virtudes, não todas nem integralmente, mas principalmente ligação a dias católicos e esmolas.
A descoberta assombrou o Diabo pois haviam casos em todos os lugares.
Não se deteve um instante, voou de novo ao céu, tremulo de raiva, ansioso para conhecer a causa secreta de tão singular fenômeno.
Deus o ouviu calmamente, não o interrompeu, não o surpreendeu, não triunfou, sequer daquela agonia satânica.
Pôs os olhos nele e disse-lhe:

- Que queres tu? É a eterna contradição humana.

3- A SERENÍSSIMA REPÚBLICA
Publicado primeiramente na "Gazeta de Notícias" em 20 de agosto de 1882, depois incluído no livro Papéis avulsos, "A Serenissima República" é mais um daqueles contos de Machado de Assis em que parece ter, à primeira vista (e só à primeira vista...), um sentido restrito — no caso, "as nossas alternativas eleitorais" — que é logo captado e entendido por qualquer leitor, não obstante a forma alegórica como elas são mostradas.

A história começa com um narrador que pede atenção para uma descoberta da ciência brasileira superior a uma outra, promovida por um sábio inglês, que teria sido publicada em O Globo – jornal republicano e de orientação cientificista. A propósito, John Gledson observa que é bastante provável que o artigo mencionado no conto não tenha existido e conclui que a citação desse artigo é uma sátira contra O Globo. E é considerando o contexto dessa sátira ao cientificismo do jornal O Globo que Machado questiona o materialismo científico em voga na época quando faz o cônego Vargas embasar a sua descoberta numa citação de Darwin e Büchner, reputando-os “sábios de primeira ordem”, mas sem absolver “as teorias gratuitas e errôneas do materialismo”. Frise-se: Machado questiona, mas, como era seu costume, não se posiciona, deixa a questão em aberto. Em um primeiro nível de significação, a narrativa do cônego Vargas pode ser lida como uma tentativa de valorizar a produção científica nacional e como um questionamento do materialismo científico em voga no final do século XIX.

Como não poderia deixar de ser em Machado, o conto é uma crítica: crítica ao processo eleitoral, feita como um discurso de um cônego, que afirma ter achado uma espécie de aranha que fala, e ter criado uma sociedade delas, chamada "Sereníssima República". Ele escolhe o sistema de eleição baseado no da República de Veneza, onde se retirava de um saco bolas com o nome dos eleitos. Este sistema vai sendo fraudado pelas aranhas, corrigindo-se, adaptando-se e variando-se diversas vezes e de diversos modos, eternamente corrupto.

Na vigorosa sátira política ao sistema eleitoral brasileiro formulada por Machado, o cônego Vargas tenta, com sucessivos experimentos, dar organização social às aranhas. O conto termina sem que essa pretensão tenha sucesso, uma vez que as facções políticas e individualidades em confronto sempre darão um jeito de burlar os sistemas eleitorais instituídos. Roberto Da Matta, aliás, é um dos admiradores entusiastas desse conto e certa feita sentenciou: "como diria um dos meus escritores brasileiros favoritos, o velho Machado de Assis, 'a sereníssima República do Brasil' continua repousando em berço esplêndido, tocada pelas mesmas sestas que transformavam o Brasil nas leis e não nas suas práticas sociais mais arraigadas". Até aí, tudo bem, dentro de certas normalidade e formalidade narrativas. Mas trata-se de Machado, afinal, e recomenda-se ao leitor cuidadosa leitura, prestar atenção ao articulado processo político que está sendo construído, principalmente, quando o narrador lança mão de recursos que podem provocar "audaciosas interpretações...".

E como se trata de Machado, nada é somente o que parece ser, à primeira vista e à primeira leitura: seu contumaz narrador — em primeira-pessoa —, a par da crítica política, faz uma inquirição a respeito da alma exterior do homem. Por meio de uma alegoria eleitoral, sob a forma de uma conferência de um cientista, Machado discursa a respeito do homem e da sociedade que ele constrói — algo como sendo o homem de múltiplas faces, cabe buscar a perfeição, tentar driblar a própria natureza; para tanto, não importam os outros ,e sim seu interesse pessoal, e aqui manifesta-se, mais uma vez, um tema caro a Machado: a discussão sobre a Ciência e a Filosofia, já feita por exemplo em O alienista e em contos como "A causa secreta" — ambos críticos com relação às correntes filosóficas em voga na segunda metade do século XIX (o determinismo, o cientificismo, etc.) e como a ciência (aliada ao poder político) pode levar o homem a se perder na variedade inexplicável dos indivíduos.

Mas como sempre em Machado, também em "A Sereníssima República" pode-se perceber a intenção do autor em analisar as cruéis relações de dominação entre seres iguais, todos subjugados por um sistema político e social marcado pelo autoritarismo, mas que não hesitam em reproduzir e legitimar a opressão de que são vítimas.

ad eternum, o que mais interessa a Machado não é a denúncia explícita e panfletária de certos males da sociedade brasileira, como o sistema político e eleitoral, as diferenças sociais, a escravidão ou a violência, mas retratar (e levar o leitor à reflexão) o modo pelo qual esses males se agregam ao cotidiano das relações humanas. 

Como todos sabemos, o que de mais significativo se extrai da leitura dos contos de Machado de Assis é a impossibilidade de respostas prontas e acabadas diante do mistério essencial que habita o ser humano e que responde pela motivação de muitos de seus atos.

4- UM ESQUELETO
Em uma praia, 10 ou 12 rapazes estavam reunidos. Conversavam sobre vários assuntos, até que um deles resolveu elogiar a língua alemã, e outro concordou. Assim, Alberto disse que aprendera alemão com o Dr. Belém, um homem que escrevera um livro de teologia, um romance e descobrira um planeta. Não encontrou editor para os livros, e a carta enviada para atestar a descoberta do planeta perdera-se.

O narrador obtém a atenção de todos quando prova a excentricidade do Dr. Belém contando-lhes a história de um esqueleto.

Em Minas Gerais, um dia Alberto conversava com o Dr. Belém, na porta da casa deste. Alberto perguntou se o Dr. Belém já tinha sido casado e este disse-lhe que fora casado. Dr. Belém convidou Alberto para ir até seu gabinete lá mostrou ao jovem o esqueleto de sua primeira esposa. Alberto ficou aterrorizado. Porém o jovem deu uma nova idéia ao Dr. Belém: o casamento. Dr. Belém escolheu a jovem viúva D. Marcelina para ser sua nova esposa. Embora ela tivesse apenas 26 anos e fosse cortejada pelo tenente Soares, Dr. Belém durante três meses insistiu no pedido de casamento. D. Marcelina sempre negou. Porém, passados os três meses, D. Marcelina aceita o pedido de casamento do Dr. Belém. Todos estranharam tal união, não era por dinheiro, tampouco por amor pensavam os convivas.

Dr. Belém tinha 50 anos, mas aparentava 60, vestia-se de forma estranha e devido à sua aparência física era chamado de defunto ou lobisomem. No entanto, o casamento aconteceu e Dr. Belém transformou-se. Passou a vestir-se conforme o gosto da esposa, e sua casa encheu-se de alegria Alberto era o único o freqüentar-lhes a casa, assim convivia com a alergia daquela morada. Um dia, não podendo ficar para almoçar na casa do casal, pediu para ficar algum tempo no gabinete para terminar a leitura de um romance. Estranhou o silêncio do casal e, ao ir despedir-se, viu que, à mesa, sentado com o casal estava o esqueleto. Horrorizado com aquela cena, decidiu não freqüentar mais aquela casa. Entretanto, um dia Dr. Belém cobra-lhe a visita e diz-lhe que o amigo deveria fazer-se presente na casa do casal. Alberto decide ir, pois ele era a única pessoa normal com quem D. Marcelina tinha contato.

Além das três pessoas, durante um jantar, estava à mesa o esqueleto. Alberto percebe o constrangimento de D. Marcelina e pede ao amigo uma explicação para aquela situação absurda. Dr. Belém diz-lhe que queria que as duas esposas se dessem bem ou que a primeira serviria do exemplo à segunda. Dr. Belém contou que matou sua primeira esposa com as próprias mãos, pois ela o traíra. Uma carta anônima tinha denunciado o adultério. Porém, mais tarde, Dr. Belém soube que mora um engano, uma mentira. Não houve traição, mas a primeira esposa, Luisa, deveria servir como exemplo à segunda caso esta não cumprisse suas obrigações de esposa. Alberto deixa a casa do casal disposto a não voltar mais.

Não entendeu aos chamados do amigo, mas, em 15 dias, recebeu um bilhete de D. Marcelina, que dizia que ele em a única pessoa normal com quem tinha contato. Apiedou-se da jovem Senhora e lá foi. Surpreendeu-se com um anúncio e um pedido. Dr. Belém diz-lhe que fará uma viagem ao interior e pede-lhe para fazer companhia a sua esposa. Temeroso, Alberto diz não ao pedido, mas não havia outra pessoa. Assim, Alberto faz a irmã e o cunhado hospedarem a esposa do Dr. Belém. Passados alguns dias, Dr. Belém manda-lhes uma carta, pedindo que Alberto levasse ao seu encontro D. Marcelina. Mais uma vez, Alberto convence a irmã e o cunhado a viajarem ao encontro do Dr. Belém. Era indispensável que levassem com eles o esqueleto. Ao completarem a viagem a esposa e o esqueleto são entregues ao Dr. Belém. Ao despedirem-se, a fim de voltar a cidade, o Dr. Belém persuade a todos a esperarem por ele. No outro dia pela manhã, Dr. Belém convida sua esposa e o amigo Alberto para um passeio na floresta. Alberto seguia o casal que caminhava em silêncio. Quando chegaram a uma clareira, lá estava sentado o esqueleto, Dr. Belém tirou uma carta do bolso e disse aos jovens que sabia de tudo, que eles não o enganariam mais. D. Marcelina começou a chorar e Alberto, em vão, tentava explicar a situação. Até que Dr. Belém disse que entendia tudo, pois eles eram jovens e amavam-se e por isso deveriam ficar juntos. Dito isso, agarrou-se ao esqueleto e correu para a mata. Alberto não o pode perseguir, pois precisou auxiliar D. Marcelina que se desesperava. Dr. Belém recebera a carta do tenente Soares, porque este estava despeitado devido à escolha da jovem.

Todos os rapazes escutaram a história com a maior atenção e um deles disse a Alberto que o Dr. Belém era verdadeiramente um doido. Alberto nu e disse-lhe que o Dr. Belém teria sido um doido se tivesse existido.


5- A MULHER PÁLIDA


6- A VIDA ETERNA


Esta é apenas a parte um, as demais se encontram no Youtube. Basta dar uma passadinha por lá.

7- UM SONHO E OUTRO SONHO


8- UMA EXCURSÃO MILAGROSA
Click aqui para ler o conto

9- SEM OLHOS
Click aqui para ler

10- O PAÍS DAS QUIMERAS
Click aqui para ler


5 comentários:

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  2. Gostei muito do resumo "Chinela Turca", em vez de eu ter lido ele todinho poderia ter vindo direto nesse site.!!!

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  3. Amei o resumo de "CHINELA TURCA" nem preciso ler ele todinho.

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  4. não entendo o final de "UM ESQUELETO", ta assim alberto nu e disse-lhe que o Doutor belém teria sido um doido se ele tivesse existido. e acaba ae esse "nu e disse-lhe" ele tava nu? kkkkk ou escreverão errado ?

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