7 de mar de 2013

Romantismo: Primeira Geração


Contexto histórico

O Romantismo surge na Europa, no fim do século XVIII, com a publicação de Os sofrimentos do jovem Werther, do alemão Goethe. É um movimento contemporâneo à independência dos EUA e à Revolução Francesa, movimentos que contestam a ordem pré-estabelecida de organização social, levam a burguesia ao poder político e iniciam o século XIX com uma grande fé no futuro da humanidade. Afinal, o que se desejava, depois de um século de Iluminismo, era liberdade, igualdade e fraternidade para todos.
Mas, a burguesia no poder não vai durar tanto tempo assim pregando a igualdade. Se todos forem iguais não existe mais poder, não é verdade?

E o que isso tem a ver com o que estudamos no Brasil? TUDO. Porque depois de lutar pela liberdade pregada pela Revolução Francesa e gostar muito de fazer isso, o que é que os franceses, ou melhor, Napoleão vai levar a liberdade, a igualdade e a fraternidade à toda Europa, claro! (entendam a ironia, pelo love de God!). Lutar contra os tiranos que oprimem o povo através da guerra e do sofrimento desse mesmo povo parecia ser o lema paradoxal de Napoleão Bonaparte. D. João VI fugiu da ação ditadora de Napoleão vindo com toda a corte para cá. A vinda da do rei português fez com que o país tivesse que ser modernizado para receber as ilustres visitas. No fim das contas, temos que dar graças a Napoleão, porque sem ele não teríamos no século XIX as condições propícias para os avanços sociais que a vinda da família real no proporcionaram, muito menos para os avanços culturais e para o próprio Romantismo brasileiro.

Que condições são essas? ora, a urbanização do Rio de Janeiro, o investimento na estrutura administrativa do Estado, a criação de uma imprensa regular, a possibilidade de se imprimir livros diretamente no Brasil, a criação de cursos superiores de Direito, Belas Artes, Medicina… É claro que isso são as condições para o Romantismo nascer. Mas o bichinho teve uma incubação meio lenta. A família real chega aqui em 1808. Em 1822 nos tornamos independentes (pelo menos politicamente). Mas Romantismo, Romantismo mesmo, só em 1836, com a publicação de Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães. Isto significa que o Romantismo é contemporâneo, na verdade, do II Reinado, do governo do Imperador D. Pedro II.

ROMANTISMO NO BRASIL:
PRIMEIRA GERAÇÃO ROMÂNTICA:


A primeira geração, também chamada de nacionalista ou indianista (isso quando não é chamada de nacionalista-indianista), tem como elemento de destaque ser nacionalista e indianista! Surpreendente isso, não é? Mas o fato é que o grande diferencial dela são esses temas mesmo. Isso porque, no ponto de vista da lírica, da lírica amorosa pura, aquela que não está combinada com nenhum desses dois temas, o que sobra são as características gerais do Romantismo: o culto à natureza, o sentimento de solidão, o amor não revelado pela mulher amada, a idealização dessa mulher… A diferença mais palpável, além da combinação da temática indianista, como em Leito de Folhas Verdes – poema que está naquela folha que vimos em sala – com a amorosa é o fato de que, ao contrário da segunda geração, existe serenidade na melancolia e na tristeza vividas nos textos da primeira geração. Gonçalves Dias até tem um poema em que ele afirma que se morre de amor (literalmente o título é Se se morre de amor), mas em nenhum momento existe o desejo da evasão pela morte. Fascínio pela morte (morbidez) é uma coisa exclusiva da segunda geração, ok?



Sobre Gonçalves Dias, uma coisa importante a ser ressaltada: é o único autor que estudamos a explorar a temática amorosa do ponto de vista feminino, como ocorre no poema que vimos em sala, tanto que ressaltei e pedi que anotassem na folha “eu lírico feminino”, lembram-se?
A figura do índio merece destaque nos poemas dessa fase, obviamente. Falar de índio é citar o ser bravo, corajoso, forte, leal... chique e nacional: afinal, era um herói com cara de Brasil que os autores queriam por aqui, né...

OBS: É importante JAMAIS perder de vista que o Romantismo busca uma afirmação da identidade brasileira, por isso recorre à construção de símbolos nacionais. Especialmente a primeira geração se presta a exaltar o exotismo da nossa paisagem e dos habitantes primitivos do país. Vocês devem se lembrar da Carta de Caminha e de como os habitantes nativos foram aclamados em sua pureza, isso sem dizer da descrição da terra como lugar fértil, "em que se plantando tudo dá", de boas águas"... Enfim, o aproveitamento desse louvor ao Brasil retorna, agora na tentativa de criar uma diferenciação positiva da nossa nação frente às demais, para dar a quem aqui morava orgulho de ser e estar neste "Éden". 
A "Canção do Exílio", de Gonçalves Dias, é um dos textos mais famosos da nossa lírica. A superioridade da terra ali resume bem o que foi a primeira geração. Tal texto foi retomado em diversas intertextualidades, algumas reiterando a ideia principal, outras satirizando o país. Ao encontrar uma dessas paródias, é preciso aliar o conhecimento sobre o Romantismo às novas intenções do autor que intertextualiza Gonçalves Dias. Só assim é possível interpretar o novo sentido do texto.
Lindeza sem fim é o poema "Pátria minha", de Vinícius de Moraes. Nele o poeta retoma a produção gonçalvina e, de modo emocionante, expõe de que modo ver essa terra Brasil, que desperta no eu lírico tanto amor e tanta piedade em função do problemas sociais tão dilacerantes que tem. Vejam aí:


Por enquanto, é só isso!

Boa prova, galera!

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