5 de mai de 2010

Dor em anjo, Daniele Ribeiro




















Sei lá o que dizer nessa hora em que a escrita parece ser meu grito mudo.
Não é literatura isso aqui, é descanso de mim, das palavras não ditas,
do orgulho ferido, do gosto amargo na sáliva.

Meu olhar decora as cenas do passado. 
Por favor, não as amplie!
O peito não suportaria.

Coração campo inimigo.

Lembro-me da devoção, do calmo querer.
Depois de mim, vento de morte em você.
Onde foram parar os anjos, os príncipes?

Encontro-me doente de um mal que já foi bem.
Solicito ao céu, lugar de amparo, socorro: 
há dilúvio em minhas janelas!

Estúpido tempo, pensei que eras mais eficaz,
achava que os remédios receitados
não seriam paliativos.
Acreditei na cura. Estou morrendo em permanência.

Daniele Ribeiro

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Flickr