29 de out de 2009

Me dá uma mão, ou me dá um mamão?

 
Cacofonia.

Já aconteceu com você de, ao ouvir determinada frase, percebeu que surgiu uma terceira palavra, dando duplo sentido, que não pertencia ao contexto e, por fim, se tornou desagradável aos seus ouvidos?

Isso é cacofonia. Define-se cacofonia sons desagradáveis, muitas vezes pela junção de duas palavras, que, ao pronunciadas, podem dar um tom pejorativo, engraçado ou obsceno.

Veja alguns exemplos comuns de cacofonias:

-Quero muito beijar a boca dela. (CADELA)
-Amo muito essa fada. (SAFADA)
-Me dá uma mão? (MAMÃO)
-Eu sei que amo ela. (MOELA)

Devo enfatizar aqui que a simplicidade e coerência são fatores decisivos para quem deseja um bom desempenho em provas de redação de vestibular e provas de instituições e órgãos governamentais. A cacofonia é, de longe, notada pela banca examinadora, devendo ser evitada tanto na linguagem escrita como na coloquial.

Pior ainda é a cacofonia que leva a termos deselegantes, que as pessoas educadas evitam.
Um exemplo disso está em um agradecimento por parte da apresentadora do programa "Superpop", Luciana Gimenez feito à mãe, a atriz Vera Gimenez:

"Mãe, queria agradecer por você ter me tido."

Desagradável, não acham?

Quando a cacofonia aparece em uma frase, ela pode, ou de fato, invalida todo o parágrafo, ou às vezes toda a redação. Não vai querer correr o risco de perder todo seu tempo, esforço e criativiade por causa da má colocação ou mau uso de apenas duas palavras, não é mesmo?

Fonte: http://crasesemcrise.blogspot.com

Ambiguidade


Esse é o slogan do conceituado dicionário Aurélio. Temos que confessar que lá no fundo achamos engraçado, porém, o uso do duplo sentido ou ambiguidade é uma via de mão dupla, que pode ter repercussão tanto negativa como positiva.


Hoje abordaremos esse tema: AMBIGUIDADE


A ambiguidade ou duplo sentido são geralmente provocados pela má organização de palavras numa frase.

Em campanhas publicitárias:
A seguradora Sinaf, maior empresa funerária do Rio de Janeiro, com 10% do mercado carioca, criou em 2003 uma tradição de humor negro publicitário com slogans de duplo sentido:
“Cremação:uma novidade quentinha da Sinaf.”
“Nossos clientes nunca voltaram para reclamar.”
“O melhor plano é viver. Mas vai que dá errado.”
“Sinaf, 25 anos. Incrível chegar onde chegamos perdendo um cliente atrás do outro.”

Nesse caso a leitura de duplo sentido pode ter um efeito proposital. Mesmo produzindo mensagens no limite entre a eficiência e o mau gosto, o objetivo da seguradora sem dúvida foi alcançado. O tema “morte” afugentava os interessados nos serviços da empresa, mas o tom inusitado dos anúncios subverteu a dificuldade das pessoas a lidarem com o tema.O sucesso da campanha aumentou a procura pelos serviços funerários e facilitou a abordagem dos vendedores da empresa.

Outro caso de sucesso em campanhas que utilizam o duplo sentido é o do Hortifruti, bem conhecido por nós. A campanha ‘Aqui a natureza é estrela’ ganhou o Brasil, com paródias que utilizam títulos de filmes.


Também é muito comum ver mensagens publicitárias que permitem dupla interpretação, mas que botam a perder todo um esforço comunicativo.
Um exemplo disso é a Parmalat, que lançou em 1998 uma campanha para promover seu café solúvel. A ideia da campanha era produzir uma clássica combinação do café-com-leite, materializando uma combinação visual, em que brancos e negros formavam casais.
Porém, foi criado um texto com involuntária invocação racista:

“Um café à altura do leite”.


A frase passa uma ideia de discriminação ética, que sugere a superioridade do leite, branco, sobre o café, que por metáfora, é o negro.

Na redação:

Numa redação a ambiguidade ou duplo sentido deve ser evitado, pois, como no mercado, corre-se o risco de invalidar todo o resultado final, nesse caso o parágrafo ou a redação.

Exemplos:
Marcos disse ao amigo que sua mãe tinha viajado. (de quem é a mãe?)
A mulher chegou à rua com cheiro desagradável. (o cheiro era da mulher ou da rua?)
O professor falou com o aluno parado na sala. (quem estava parado na sala?)


Em alguns casos, a ambiguidade se dissolve apenas com o uso da crase:

Ele cheira a gasolina. (aspira o combustível)
Ele cheira à gasolina. (cheira mal tal qual o combustível)

Nosso próximo post abordará o uso da crase, que ainda parece ser um bicho-papão para muitos.


Fonte: http://crasesemcrise.blogspot.com/
Revista Língua Portuguesa – Editora Segmento – Outubro 2009.

Crase sem crise


Em 2005, o Deputado João Nermann Neto propôs abolir esse acento do português do Brasil por meio do projeto de lei 5.154. Bombardeado, na ocasião, por linguistas e gramáticos, acabou por desistir do projeto. Ainda bem, na minha opinião. Na sua não? Tenho certeza que após ler essa matéria com carinho irá mudar seu conceito em relação à crase. Na verdade vai achá-la até bonitinha e agradável aos olhinhos e ouvidos.

Crase:

Se todos pensassem na crase como um simples acento para evitar ambiguidade ou simbolizar uma fusão nas frases, ela deixaria de ser encarada como um bicho-papão, como é encarada por muitos hoje.

Vale lembrar que "crase" não é o nome do acento, e sim da junção de a+a. O nome do acento é "grave".

No clássico "Decifrando a Crase" (Globo-2005), Celso Pedro Luft explica o uso do acento (`) no "a" em duas aplicações distintas:

1) Sinalizar uma fusão: "Ela compareceu à reunião de pais e mestres." (à = a a).

2) Evitar ambiguidade: "Ela falou à professora sobre o filho." (sem a crase a frase se torna ambígua)

Exemplos de casos em que a crase retira a dúvida de sentido numa frase lembrados por Luft:

Cheirar a gasolina. (aspirar o combustível)
Cheirar à gasolina. (cheirar tal qual o combustível)
O homem pinta a máquina. (usa tinta na máquina)
O homem pinta à máquina. (usa uma máquina para pintar)
Chegar a noite. (anoitecer)
Chegar à noite. (chegar durante a noite)

A crase em resumo:
1- Preposição a + artigo feminino definido a: "É fiel à disciplina."

2- Preposição a + pronome demonstrativo a (= aquela). "A dúvida dela é igual à de todos os outros."

3- Preposição a + vogal "a" inicial dos pronomes aquele(s), aquela(s), aquilo. "Ela atribuiu a culpa àqueles alunos."

A seguir, algumas dicas que facilitam a aplicação da crase:

- Troque pelo masculino:
Em caso de dúvida troca-se a palavra feminina por equivalente masculino: "Ela foi à reunião." x "Ela foi ao escritório." Nesse caso, como na troca se exigiu "ao", há crase.

- Troque por outra perposição ou artigo:
Quando o "a" puder ser substituído por "com a", "na", "para a", "pela", mesmo que a troca não construa uma frase perfeita, aplica-se a crase:

"Ela foi à escola." Substituia por "Ela foi para a escola." , portanto aplica-se crase.

"Acostumou-se às exigências." Substitua por "Acostumou-se com as exigências.", portanto aplica-se crase.

- Àquele, àquilo:
Quando exigir a preposição "a" antes de "aquele" ou "aquilo", mesmo com termos masculinos:
"Foi assistir àquela reunião." "Foi aplaudir àquele aluno."

- Com casa:
Quando "casa" está acompanhada de adjetivo ou pronome, aplica-se crase: "Ele fugiu e depois voltou à casa dos pais."

Quando "casa" não está acompanhada de adjetivo ou pronome, não há acentuação: "Ele fugiu e depois voltou a casa."

- Com terra:
Genericamente não se usa crase acompanhada da palavra "terra", em oposição a "mar" ou "bordo": "Os piratas vieram a terra."

Há crase, no entanto, se a "terra" estiver qualificada, ou determinada: "Os piratas vieram à terra dos índios."

- Com lugares:
Veja se o nome do lugar exige crase de um modo simples:

Volto da Amazônia, portanto, "Vou à Amazônia." Na troca, quando se utliliza "da" se usa a crase.
Volto de Santa Catarina, poranto, "Vou a Santa Catarina." Na troca, quando utiliza-se o "de" não se usa a crase.
O mesmo se dá quando, na troca utiliza-se "para" ou "para a".

"Vou para a França", portanto, "Vou à França" com crase. "Vou para Roma", portanto, "Vou a Roma", sem crase.


- Com hora determindada:
"Cheguei às duas horas."
"Comeremos às oito horas."


- Com vista:
"Compras à vista, em dinheiro." Leva acento por tradição, ao contrário de "a prazo", que não leva acento. "Foi pago a prazo."

Ok, concordo que exige certa paciência e algum esforço para lembrar tais regrinhas, mas achei importante dividir essa matéria com vocês principalmente pelo fato da crase trazer tantas dúvidas, mas concordam que não é um bicho papão?


Sem crises...




Fonte: http://crasesemcrise.blogspot.com/
Revista Língua Portuguesa - Outubro 2009 - Editora Segmento. Por Luis Costa Pereira Júnior e colaboração de Josué Machado.


"O que valeu a pena está destinado à eternidade. 
A saudade é o rosto da eternidade refletida no rio do tempo."
(Rubem Alves)

Coloque a vírgula em lugar errado e veja a confusão que você pode se meter



Campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa).

Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

Detalhes Adicionais
SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.
Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.

Fonte: flaviapoesiasbyflaviad.blogspot.com

26 de out de 2009

Sonho





Sonhe alto, sempre e mais.

Faça a cada dia a vida

 Na medida do seu sonho.
Sonhe e, ao mínimo gesto,
Seu ser inteiro empreste. 

Sua marca em tudo ponha
Que o homem não é alto
Nem é baixo e se faz...

Da estatura do que sonha!

Elcio Fernandes







 

Vídeo "O pagador de promessas"

Trecho do filme "O Pagador de Promessas", onde "Zé do Burro" conta a sua história para o Padre Olavo e é impedido de entrar na igreja para pagar a promessa feita a Santa Bárbara.

O PAGADOR DE PROMESSAS, Dias Gomes


ASPECTOS ESTRUTURAIS
Publicada em 1959, trata-se de um texto escrito para teatro, ou seja, para ser levado ao palco, ser encenado. A peça é dividida em três atos, sendo que os dois primeiros ainda são subdivididos em dois quadros cada um. Após a apresentação dos personagens, o primeiro ato mostra a chegada do protagonista Zé do Burro e sua mulher Rosa, vindos do interior, a uma igreja de Salvador e termina com a negativa do padre em permitir o cumprimento da promessa feita. O segundo ato traz o aparecimento de diversos novos personagens, todos envolvidos na questão do cumprimento ou não da promessa e vai até uma nova negativa do padre, o que ocasiona, desta vez, explosão colérica em Zé do Burro. O terceiro ato é onde as ações recrudescem, as incompreensões vão ao limite e se verifica o dramático desfecho.





Tempo e espaço da narrativa
Tempo: a peça é contemporânea e universal. Podendo ser encenada em qualquer tempo.
Duração da história: 1 dia.
Há também a presença do tempo psicológico (flashbacks, lembranças)
Espaço: a história acontece no Estado da Bahia.

QUESTÕES TEMÁTICAS
Intolerância, traição, intransigência, ambição, luxúria, sincretismo religioso e religiosidade. name="Originator">


O PAGADOR DE PROMESSAS COMO PARÓDIA DO SACRIFICIO DE CRISTO

Em O pagador de promessas, o grande movimento parodístico consiste no pagamento da promessa de Zé-do-Burro. Com esta promessa, Zé-do-Burro assume um papel semelhante ao de Jesus Cristo. No entanto, com uma diferença apontada pelo Padre Olavo:

 -Por que então repete a Divina Paixão? Para salvar a humanidade? Não, para salvar um burro!

Resulta disto a seguinte analogia: Zé-do-Burro está para Jesus Cristo assim como o burro Nicolau está para a humanidade. Há também o fato de ser vítima, assim como o Cristo e outras personagens beatificadas, de tentações que o colocam à prova por sedução e martírio. Durante todo seu percurso foi tentado a descansar no hotel, sair do jejum, abandonar sua missão para ir tomar satisfação com o Bonitão, trocar de promessa, além de outras tentações atribuídas por ele a própria santa que estaria querendo testar a dimensão de sua fé. Essa analogia é reforçada no desfecho da obra, quando Zé-do-Burro, depois de morto, é colocado “sobre a cruz, de costas, com os braços estendidos, como um crucificado” (p. 95). Visto por este prisma, O pagador de promessas pode ser considerado como uma espécie de paródia sacra, uma profanação e dessacralização da via crucis. Ao rebaixamento da via crucis junta-se a profanação de Santa Bárbara, identificada com “Iansan, a Santa Bárbara nagô” (p. 29), como vem estampado na rubrica que inicia o segundo quadro do primeiro ato. É importante perceber que, neste caso, a profanação da santa só ocorre aos olhos das autoridades eclesiásticas e daqueles que adotam a oficialidade católica como valor absoluto e superior. Zé-do-Burro, ao contrário, não tem a consciência da profanação, pois ele, em virtude de sua mentalidade sincrética (e carnavalesca!), não vê a santa como uma entidade católica distanciada em sua sublimidade e a encontra em um terreiro de candomblé, transfigurada em Iansan, sem que isto seja para a figura católica nenhum desmérito. Ele apenas segue a “verdade popular não-oficial” também expressa por Minha Tia: “A discurpe, Iaiá, mas Iansan e Santa Bárbara não é a mesma coisa?” (p. 90).

ZÉ-DO-BURRO: UM PERSONAGEM AMBÍGUO

Desde o início da trama, Zé-do-Burro desperta a curiosidade das pessoas que circulam pela praça e muitas são as opiniões a seu respeito. O Bonitão o considera um idiota; Marli, um beato pamonha, carola de uma figa e corno manso; Minha Tia, um homem bom; Rosa, um homem bom até demais. Mais importante do que estas opiniões pessoais são aquelas que refletem a perspectiva do povo e da igreja. Segundo palavras de Rosa:

Rosa – Não brinque. Pelo caminho tinha uma porção de gente querendo que ele fizesse milagre. E não duvide. Ele é capaz de acabar fazendo. Se não fosse a hora, garanto que tinha uma romaria aqui, atrás dele (p. 24)

Em confronto com esta posição popular, temos a da igreja, expressa aqui pelo sacristão e pelo padre:

Sacristão – O senhor não ouviu ele [o padre Olavo] dizer? É Satanás! Satanás sob um dos seus múltiplos disfarces! (p. 59)

Seja visto como uma espécie de santo, seja visto como o diabo, a única constante em Zé-do-Burro é o signo ambivalente. E é esta visão que subsiste até no momento de sua morte: o pagador de promessas foi crucificado como Jesus Cristo e como Este, no dia de sua crucificação, teve os céus tempestuosos. No entanto, no caso de Zé-do-Burro, até os trovões possuem um duplo sentido: se por um lado fazem uma alusão à tempestade da cena bíblica, reforçando a simetria entre Cristo e Zé-do-Burro, por outro apontam para a esfera pagã da peça, sendo a própria representação dos poderes de “Iansan, a Santa Bárbara nagô”. Sua última “palavra” irônica a afirmar vitória pela entrada na igreja católica do seu pagador de promessas, o que significa a superação do universo oficial pelo universo sincrético e mundano.


20 de out de 2009

"Você precisa encontrar o que você ama" Discurso de Steve Jobs - Um dos gigantes do mundo da informática

Discurso do Steve Jobs para a turma de formandos do ano de 2005 em Stanford.
É emocionante e motivador. Uma lição de vida! (De quebra você fica sabendo onde nasceram as muitas espécies de letras que tornam o mundo virtual mais bonito!)





Viagem pelo interior do computador

Vídeo que mostra uma incrível viagem, de forma descontraída, dentro de um computador.





Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=0A4CxxJ9h24&feature=player_embedded

19 de out de 2009

Um show de imagens!


E se a vida fosse um sonho?

Pare um pouco e assista ao vídeo abaixo. Vale a pena!

Vídeo para refletir, lembrar que a vida é hoje, viver intensamente cada dia como se fosse o último. (Fabiana Thais Oliveira)



Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=9TKMbcKp488&feature=player_embedded

10 de out de 2009

Cortar os nossos defeitos pode ser perigoso


"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro." Clarice Lispector

7 de out de 2009

Alunos do Colégio Delta visitam Ouro Preto e participam de palestra com o autor Rui Mourão




            Visando proporcionar a seus alunos do 1º Ano do Ensino Médio uma formação ainda ampla, o Colégio Delta realizou no último final de semana uma viagem cultural a cidade de Ouro Preto, Minas Gerais. Lugar que provoca encantamento a quem visita, a centenária Ouro Preto é palco de três das quatro obras literárias que compõem a 1ª etapa do Vestibular Seriado da Unimontes neste ano. Boca de Chafariz, do escritor contemporâneo Rui Mourão, Marília de Dirceu e Cartas Chilenas, do poeta árcade Tomás Antônio Gonzaga desfrutam da paisagem ouropretana e dialogam com os acontecimentos históricos que norteiam a cidade mineira Patrimônio Cultural da Humanidade.
            Ao passearem pelas ruas de Ouro Preto, os estudantes puderam observar a expressão barroca presente na paisagem e na arquitetura colonial das igrejas locais, conheceram algumas das obras de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, além de terem a oportunidade de visualizar o cenário do amor de Dirceu e Marília, personagens de Tomás Antônio Gonzaga, e dos desmandos administrativos que motivaram a escrita satírica de Cartas Chilenas
Ponto alto da visita foi a palestra que os alunos puderam ter com o romancista, contista e então diretor do Museu da Inconfidência Dr. Rui Mourão. Tal escritor tem sido de extrema importância para a literatura mineira por seu trabalho de preservação da memória de Minas e do Brasil. O restaurar é a temática desenvolvida em Boca de Chafariz, publicado em 1991 pela Vila Rica Editora. Na oportunidade, o alunado do Colégio Delta pode solucionar dúvidas e expor suas ponderações a respeito da produção. O autor falou primeiramente sobre a motivação para a escrita: “Ouro Preto deve continuar como sempre foi. A ideia é a abordagem pela temática da preservação”. Rui Mourão salientou que a obra é organizada em três níveis: o primeiro referindo-se ao caráter documental que a produção assume ao versar sobre a enchente que atingiu a cidade em 1979; o segundo nível relaciona-se ao passado ouropretano, trazido à tona por meio dos “fantasmas” históricos que aparecem no romance; já o terceiro remonta ao presente ficcionalizado, criação artística, do qual nascem figuras humanizadas e simpáticas ao leitor, como Bené da Flauta. Em Boca de Chafariz, a cidade de Ouro Preto passa por três momentos distintos, porém complementares. Os personagens, a história, o homem vão sendo recuperados ao longo dos capítulos. “Tudo é objeto de restauração”, afirmou o autor. Retomando a alegoria da mulher que passa por cirurgia plástica, citada pelo personagem Jair Inácio, Rui Mourão complementa: “uma cidade restaurada não é a mesma de antes. A restauração cria uma terceira obra”. Ao término da palestra, o escritor fez a leitura do poema “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, de Camões, contido intertextualmente na produção do romancista mineiro, encerrando com poesia a discussão sobre a obra.

                      

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