19 de ago de 2009

Para a galerinha da 8ª série II: A MISSÃO


Pessoal,


É importante que vocês não se esqueçam pontos importantes salientados em sala de aula sobre o livro "Ciumento de carteirinha", como por exemplo: à semelhança da obra de Machado de Assis, Dom Casmurro, a história gira em torno de um possível triângulo amoroso: Queco ama Júlia, mas desconfia que esta o trai com seu melhor amigo Vitório. Os três, juntamente com Nanda, formam o quarteto que irá representar a escola no concurso que revisita a obra de Machado e procura dar o prêmio em dinheiro para aquele que melhor argumentar sobre a clássica dúvida:"Capitu traiu ou não Bentinho?".


Mas não é só isso!




Queco é quem narra toda a história, o que faz dele um narrador de quem nós podemos duvidar, afinal conta quilo que lhe interessa e demonstrando o seu modo de ver os fatos. Lembrem-se: toda história tem dois lados!

Assim como na obra de Machado em que Bentinho nos conta sobre a inquietação que "o olhar de cigana oblíqua e dissimulada" de Capitu lhe causa, também em Ciumento de carteirinha é o olhar de Júlia que desperta em Queco o sentimento de traição.


O ciúme de Queco por Júlia faz com que ele logo se identifique com o livro "Dom Casmurro". Veja o trecho abaixo: “(...) O livro dava nome a algo que eu sentia mover-se perto de mim, uma espécie de polvo com mil tentáculos que se agitava, invisível, no escuro mar dos meus tumultuados sentimentos. Ciúme era o nome da coisa ameaçadora” (pg. 61). É justamente por tal identificação que Queco resolve defender Bentinho e acusar Capitu.

Outro ponto forte é que somente o fato de ter deixado a carta no sebo, dentro de um livro antigo pode dar veracidade à farsa de Queco.


Importantíssimo também é pensar em Júlia como uma personagem marcada por dúvidas.

Vejam estes trechos: “– Pois então ouça, Queco. Não sei o que exatamente você está pensando ou imaginando, mas de uma coisa pode ter certeza: você está fora da realidade, entendeu? Completamente fora da realidade. Nada que você pensa ou imagina aconteceu” (p. 102). Aqui Júlia afirma que as possíveis imaginações sobre traição não são verdadeiras. Mais adiante faz outra declaração mediante a cusação de Queco: “- O que!? Você está querendo me dizer que não pintou nada entre você e o Vitório?
- Pode ter pintado. Admito: pode ter pintado. Isso acontece, não acontece? O Vitório é um cara legal, inteligente, gentil. Um cara entusiasmado, que acredita nos seus ideais. Sempre me tratou bem, ao contrário de você que... me desculpe, Queco, mas tenho de lhe dizer isso...Você pode não ter percebido isso, mas vinha me tratando mal. E isto me doía, Queco. Porque... Interrompeu-se, e eu percebi que ela estava soluçando. - Eu amo você, Queco. Apesar de tudo, eu amo você.” . Sendo Queco um "ciumento de carteirinha", as dúvidas dele acabam se agravando, mas cabe ao leitor julgar se é possível ou não que Júlia e Vitório tenham se envolvido, ou seja, julgar se Júlia "traiu ou não Queco", isso por meio de bons argumentos.


A essa altura da semana e da sua vida de estudante super-hiper-mega-totalmente aplicado, você já sabe que Queco não levou adiante seu plano e nem apresentou sua "prova" da traição de Capitu. Mas mesmo assim seu colégio levou o prêmio, isso por ter demonstrado o quanto a leitura "mexeu" com a vida do narrador-personagem Queco.


Essa propriedade que a literatura tem de "mexer" com os sentimentos do leitor, de propiciar mudança de conduta, purificação, é chamada em Literatura de catarse. Em seu "discurso" no fim da narrativa, Queco demonstra o quanto a leitura de Dom Casmurro fez com que ele repensasse suas ações e percebesse que sua atitude frente a dúvida estava de tal modo inadequada que ele poderia ter perdido seu grande amor e ainda ter levado adiante um plano sórdido e desleal.


Acho que é isso!

Literatura é uma oportunidade de nos vermos retratados, garotos e garotas! Todos nós, em algum momento, já nos vimos em situações de ciúme intenso (ou nos veremos, já que vocês ainda são muito novos!!!!!!), precisaremos de sensibilidade para enfrentarmos algumas situações e sermos capazes de viver e ver o mundo com mais delicadeza (Manual da Delicadeza)... Então, para tudo há um propósito, nem que seja o de tão somente ter prazer e conhecer mundos e pessoas através das viagens possíveis ao que lê.



Bjooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Um comentário:

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